CRIAR MIL E UMA HISTÓRIAS
"...das obras é defeito de profissão e já vem das outras casas que tive. Pegar num apartamento e virá-lo do avesso é vício". assume a arquitecta, salientando que este até tinha um aliciante, o terraço, que funcionou como uma espécie de 'habitação evolutiva'. Antes, apresentava um muro de feição decadente, agora actua como um espaço funcional, ainda assim disponível para outras soluções. Foi criada uma área semicoberta para servir as refeições, quando o tempo possibilita esse contacto com o exterior, sob um tecto forrado a cana e com a protecção de uma rede. Noutra zona, manteve-se o terraço aberto ao exterior, para que aí germinassem várias plantas.
" Desde que me lembro de ter a primeira casa, e já vivi em quatro, que adoro a ideia de as transformar completamente. Começo logo a sonhar e nunca acho que uma casa está pronta." Assim, também aqui vai desenvolvendo novas propostas e soluções úteis. Filha de um médico cirurgião, cedo compreendeu que esse não iria ser o seu percurso. "Toda a vida desenhei, sempre com os meus blocos de um lado para o outro, mas não tinha muito tempo para trabalhos que não fossem de arquitectura. "Desde há ano e meio que cruzou a sua carreira profissional com as artes da pintura e tem já programada a primeira exposição. A prova da sua paixão pela arte está patente nos quadros que encontramos em todas a áreas habitadas. "Toda a vida adorei comprar quadros", diz, justificando a presença de obras de Manuel San Payo, João Vaz de Carvalho, Eduardo Alarcão, Sofia Courteilles, Nicolau Tudela, Eva Armizén, António e Hilda Portela. ▀"
LEGENDA DO CANTO INFERIOR DIREITO
Beliches, capas de edredão e tapete (Ikea). Os móveis das crianças foram idealizados pela mãe mas executados e pintados pela Oficina à Lapa. Martim, o filho mais velho é o autor de alguns quadros, enquanto a mãe desenhou os que se encontram sobre o segundo piano da casa, o da sua infância. O piano e os brinquedos encontram-se numa zona de terraço entretanto fechada.